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Povo indígena mundurucu começa a usar energia solar

publicado em 09 de agosto de 2016

Duas aldeias indígenas do povo mundurucu, no estado do Pará, estão usando placas fotovoltaicas para gerar energia solar. Os painéis foram instalados por uma parceria entre a ONG Greenpeace e a fundação americana Empowered by Light, como parte de um projeto de mobilização contra a construção de usinas hidrelétricas no Rio Tapajós. Essas hidrelétricas, caso saiam do papel, podem alterar cursos de água nas terras dos mundurucus ou alagá-las.

Povo mundurucu e ativistas do Greenpeace instalam painéis solares nas aldeias Sawré Muybu e Dace Watpu, na região do Rio Tapajós, no Pará (Foto: Otávio Almeida/Greenpeace)

Povo mundurucu e ativistas do Greenpeace instalam painéis solares nas aldeias Sawré Muybu e Dace Watpu, na região do Rio Tapajós, no Pará (Foto: Otávio Almeida/Greenpeace)

Thiago Almeida, do Greenpeace, participou da instalação das duas placas solares nas aldeias. Ele conta que os mundurucus tinham antes acesso limitado à energia elétrica. Eles usavam um gerador a diesel que funcionava apenas seis horas por dia. Com a eletricidade gerada pelo sol, terão energia 24 horas por dia. A eletricidade será usada nos freezers, para guardar peixes e carne, nas áreas comuns da aldeia e em duas escolas. “A energia é toda voltada para espaços comunitários, como a escola. E tem os freezers. Para a gente, parece óbvio, mas esses freezers causam um impacto positivo muito grande na vida da aldeia. Sem eles, era preciso salgar a carne ou o peixe para conseguir manter os alimentos.”

Os painéis instalados usam a mesma tecnologia de energia solar que está disponível nas cidades. A única diferença é que eles são off-grid, ou seja, não estão ligados na rede. “A opção por instalar esses sistemas é para mostrar que há soluções com energias renováveis como solar e eólica. Se você pensar que a energia solar pode chegar ao meio da Floresta Amazônica, então ela pode chegar a qualquer lugar”, diz Almeida.

O povo mundurucu é um dos principais opositores da hidrelétrica. A área em que eles habitam, a Terra Indígena Sawré Muybu, até hoje não foi oficialmente demarcada. Por isso o temor de que, caso o processo de licenciamento da usina siga adiante, eles possam perder suas terras. O processo de demarcação começou há quase dez anos. Neste ano, em abril, a Fundação Nacional do Índio (Funai) reconheceu que as terras pertencem aos índios.

A usina hidrelétrica do Tapajós é um projeto liderado pela Eletrobras para gerar 6,3 gigawatts de energia, com custo da obra previsto em R$ 18 bilhões. O processo de licitação da usina foi iniciado em 2015. Porém, após contestações a respeito da qualidade do Estudo de Impacto Ambiental, o processo foi suspenso. O presidente interino Michel Temer, entretanto, já deu declarações indicando que pretende retomar o leilão da obra tão logo se encerre o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

Fonte: www.epoca.globo.com